4 de março de 2026
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Culpada por um dos maiores crimes ambientais já conhecidos, Braskem se torna patrocinadora do Big Brother Brasil 23

Em 2019, os moradores do bairro Pinheiro e arredores viveram as consequências de uma catástrofe premeditada. As mãos (e as máquinas) responsáveis pelo sofrimento de mais de 60 mil maceioenses agora se tornam patrocinadoras de um dos programas de maior audiência do Brasil: Big Brother Brasil, transmitido pela TV Globo.

A mineração desenfreada realizada pela Braskem causou instabilidade do solo local, além de agravar falhas geológicas já existentes, o que causou rachaduras em diversas casas. A situação se agrava, já que existem relatos de que a empresa tinha sido avisada posteriormente sobre os riscos do solo. Hoje em dia, o Pinheiro não passa de um bairro fantasma em uma cidade viva.

“Acho que eles estão querendo passar uma imagem que não existe, como se esse patrocínio no BBB [Big Brother Brasil] acoberta-se as notícias ruins que vinculam à empresa, mas a gente que viveu todo esse transtorno nunca vai esquecer. Como aqueles que tinham seus comércios e foram prejudicados, as casas que lutamos para ter rachadas, várias pessoas que acabaram entrando em depressão, entre outros fatores,” lamenta a estudante Lavínia Padilha, ex-moradora do Pinheiro que foi forçada a deixar a residência em que morava desde pequena. Além da estudante, o deputado federal Paulão (PT) e a deputada estadual Cibele Moura (MDB) também criticaram a situação.

Como Lavínia, os alagoanos que foram obrigados a abandonar suas casas não querem ver seu pior pesadelo lucrando de maneira exorbitante enquanto tentam se restabelecer. Assistir a Braskem continuar a lucrar depois de desalojar diversas famílias é como reabrir uma feriada que nunca teve tempo de cicatrizar totalmente.