O governo do México mobilizou 10 mil soldados para conter a onda de violência desencadeada pela morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG). Ele foi ferido em confronto com o Exército na cidade de Tapalpa, em Jalisco, e morreu durante transferência aérea para a Cidade do México. A operação e os confrontos posteriores deixaram ao menos 27 agentes de segurança mortos, 46 supostos criminosos e um civil.
A morte do traficante, que tinha recompensa de US$ 15 milhões oferecida pelos Estados Unidos, provocou reação imediata do cartel. Integrantes da facção bloquearam rodovias em cerca de 20 estados, incendiaram veículos e atacaram prédios públicos e comércios. Em Jalisco, uma penitenciária foi alvo de ataque armado, resultando na fuga de pelo menos 23 detentos.
A escalada expõe o que especialistas classificam como uma “guerra civil fragmentada” entre o Estado mexicano e organizações criminosas, além de disputas internas e rivalidades entre cartéis. O CJNG, fundado em 2009, tornou-se uma das estruturas mais violentas do país, disputando território com o Cartel de Sinaloa, grupo historicamente ligado a Joaquín Guzmán e Ismael Zambada García. Com a morte de “El Mencho” e a prisão de seu filho, Rubén “El Menchito”, analistas apontam risco de racha interno e disputa violenta por sucessão.
Cidades como Guadalajara tiveram escolas fechadas e transporte suspenso, enquanto Puerto Vallarta, destino turístico internacional, registrou cancelamento de voos e alertas de viagem emitidos por governos estrangeiros. Embora haja relativa redução dos confrontos, o envio de tropas adicionais indica que o governo teme novos episódios de violência, seja por retaliação do cartel, seja por disputas pelo controle das rotas do narcotráfico.












