Nesta quarta-feira (21) o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que o Congresso pode votar ainda neste semestre o fim da escala 6×1. Segundo ele, há avanço nas negociações após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Boulos também criticou quem é contra à redução da jornada de trabalho “ É muita gente que fica defendendo escala 6×1 para os outros, mas está lá no jantar com caviar e champanhe. Muita gente que fica falando que tem que trabalhar, mas nunca trabalhou na vida, que é herdeiro”, afirmou.
A proposta defendida pelo governo prevê que a redução da jornada não resulte em diminuição salarial, garantindo ao menos dois dias de descanso por semana e uma carga máxima de 40 horas. Atualmente, a regra geral é de seis dias de trabalho, 44 horas semanais e apenas um dia de folga.
O tema é prioritário para o governo Lula e deve ganhar tração com a retomada dos trabalhos no Congresso. Apesar do apelo popular, enfrenta resistência de setores produtivos, especialmente de serviços, que apontam possíveis impactos econômicos. O assunto também deve ser explorado na campanha pela reeleição do presidente.
Há quatro PECs em tramitação sobre o tema. A mais antiga, de 2015, está no Senado e propõe transição gradual até 36 horas semanais. Na Câmara, uma proposta impulsionada pela deputada Erika Hilton aguarda votação. Para o governo, a medida é uma questão de dignidade, com impacto especial sobre as mulheres, que acumulam dupla jornada. Desde 1995 a redução da jornada de trabalho vem sendo debatida no legislativo. Em média cerca de 13 propostas sobre o tema já foram apresentadas e arquivadas.










