28 de março de 2026
Carregando...

Fale com a redação e faça sua sugestão de pauta

COI impõe testes genéticos e exclui atletas trans de provas femininas nas Olímpiadas

O Comitê Olímpico Internacional anunciou uma nova política de elegibilidade para competições femininas nos Jogos Olímpicos que já provoca forte repercussão internacional. A medida estabelece testes genéticos como critério para participação e, na prática, impede a presença de atletas transgênero e de parte das competidoras com Diferenças no Desenvolvimento Sexual (DSD) nas provas femininas.

Segundo o COI, a decisão foi baseada em estudos conduzidos por um grupo de trabalho da própria entidade, que identificou vantagem de desempenho masculino em todas as modalidades analisadas. Em esportes de força explosiva, como o levantamento de peso, essa diferença poderia ultrapassar 100%. O relatório também aponta que a supressão de testosterona e terapias hormonais não seriam suficientes para eliminar essa vantagem competitiva.

A nova diretriz já começa a ser assimilada por comitês nacionais. O Comitê Olímpico da Nova Zelândia informou que aplicará a política com cautela e foco no bem-estar dos atletas. A diretora-executiva Nicki Nicol destacou a complexidade do tema e afirmou que a entidade seguirá o princípio maori de “Manaaki”, priorizando cuidado, respeito e dignidade. A mudança impacta diretamente casos como o da halterofilista Laurel Hubbard, que participou dos Jogos de Tóquio e não seria mais elegível sob as novas regras.

Apesar da justificativa técnica, a decisão enfrenta críticas em diversos países. Na Austrália, o grupo Pride Cup pediu que federações rejeitem a política, alegando riscos à saúde mental e à inclusão de atletas trans. Especialistas e ativistas também questionam a base científica do COI e alertam para possíveis impactos psicológicos em atletas submetidas aos testes, especialmente aquelas que podem descobrir condições genéticas inesperadas durante o processo.