A recente prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), determinada nesta quarta-feira (4) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chama atenção para um padrão que se repete na política brasileira: desde a promulgação da Constituição de 1988, o país tem registrado, em média, um deputado federal preso por ano durante o exercício do mandato. Mesmo com a proteção da imunidade parlamentar, os congressistas podem ser detidos em flagrante por crimes inafiançáveis, e a lista de casos cresce a cada ano.
Zambelli foi alvo da Justiça após ser condenada a mais de 10 anos de prisão por envolvimento na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela deixou o país antes da decisão, somando-se a uma série de parlamentares que tiveram o mandato interrompido por crimes graves. Casos emblemáticos incluem o de Flordelis, condenada a mais de 50 anos de prisão pelo assassinato do marido; Eduardo Cunha, preso na Lava Jato; e Daniel Silveira, condenado por ataques ao STF. Há ainda figuras como João Rodrigues, Celso Jacob, Luiz Argôlo e Paulo Maluf, todos com passagens pela cadeia enquanto exerciam seus mandatos.
Os crimes variam, mas geralmente envolvem corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças ao Estado de Direito ou até homicídios. Chiquinho Brazão, por exemplo, foi preso acusado de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e cumpre prisão domiciliar por decisão do STF. Já José Genoino, ex-presidente do PT, foi preso no escândalo do Mensalão. Em todos os casos, o STF foi a instância responsável pelas ordens de prisão, reforçando o papel da Corte no combate à impunidade, mesmo entre os mais altos cargos da política.
Esse histórico de detenções expõe uma realidade desconfortável sobre o Congresso Nacional e levanta questionamentos sobre o sistema de filtragem e fiscalização de candidaturas no país. Enquanto parte da população perde a confiança nas instituições, os casos de parlamentares presos em pleno mandato se acumulam, consolidando um retrato sombrio da relação entre política e criminalidade no Brasil.







