A escalada no preço do diesel já impacta diretamente a inflação dos alimentos no Brasil, ao elevar custos de produção agrícola e encarecer a logística de distribuição. O cenário é agravado pela instabilidade no mercado internacional de petróleo, impulsionada pela guerra envolvendo o Irã.
Com cerca de 20% do diesel consumido no país vindo de importações, o Brasil enfrenta dificuldades adicionais devido à diferença entre os preços praticados pela Petrobras e os valores do mercado externo. Essa defasagem reduz o interesse de importadores, comprometendo a oferta interna.
No Rio Grande do Sul, o problema coincide com o período de colheita de culturas como arroz, soja e milho. Segundo especialistas, a região depende fortemente da importação de combustível, especialmente em momentos de alta demanda, como durante a safra.
Diante do aumento de custos, produtores rurais passam a repassar parte das despesas ao consumidor ou a operar com margens mais apertadas. O impacto, porém, não se limita ao campo. Como o transporte no país depende majoritariamente do diesel, qualquer instabilidade afeta o frete e chega rapidamente ao preço final dos alimentos.
Embora os efeitos ainda sejam mais intensos em regiões específicas, a tendência é de disseminação nacional, já que estados produtores influenciam o abastecimento em todo o país. A intensidade da alta nos preços dependerá, sobretudo, da duração da crise no fornecimento de combustível.









