Maceió (AL) – Uma nova tensão econômica atravessa o Atlântico e chega às margens da Lagoa Mundaú: a decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil reacendeu o debate sobre os reflexos de políticas internacionais na vida dos brasileiros — em especial, dos alagoanos. Mas, afinal, devemos nos preocupar com isso?
A resposta, como em boa parte dos temas econômicos, depende do ponto de vista.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Em um movimento estratégico e controverso, Trump declarou que os Estados Unidos voltarão a sobretaxar países que, segundo ele, “desvalorizam artificialmente suas moedas ou comprometem a competitividade americana”. O Brasil foi incluído nesta nova leva de medidas, com uma tarifa de 50% sobre determinados produtos, especialmente commodities como aço, alumínio e produtos agrícolas.
A decisão, apesar de ainda em fase de implementação, causou alvoroço no setor de exportação e acendeu o alerta nas regiões mais dependentes de insumos agrícolas e industriais — como o interior de Alagoas.
OS ALAGOANOS DEVEM SE PREOCUPAR?
Em parte, sim.
Alagoas não está entre os maiores exportadores diretos para os EUA, mas há uma cadeia produtiva que pode sentir os efeitos. O açúcar e o álcool — principais produtos do setor sucroalcooleiro, que sustenta milhares de empregos no estado — podem perder competitividade caso a tarifa afete os preços globais.
Além disso, empresas alagoanas que atuam como fornecedoras indiretas de produtos industrializados ou agrícolas para o eixo Sul-Sudeste, que tem maior relação comercial com os EUA, também podem perceber redução nas encomendas.
“Mesmo sem vender muito diretamente para os Estados Unidos, Alagoas pode, sim, sentir o baque da tarifa de 50% imposta pelo Trump. Isso porque o estado faz parte de cadeias produtivas que estão conectadas ao resto do Brasil, e se empresas de outros estados começarem a pagar mais caro por insumos ou perderem competitividade, esse efeito chega aqui também — seja no preço dos produtos, na dificuldade de vender para fora ou até na redução da atividade econômica. No fim das contas, tudo está interligado, e Alagoas acaba sendo impactado, mesmo que indiretamente”, explica o economista Diego Farias.
MAS É MOTIVO PARA PÂNICO?
Não necessariamente.
A economia local tem baixa exposição direta às exportações para os Estados Unidos. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Alagoas exportou em 2024 pouco mais de US$ 90 milhões em produtos, e apenas 2% desse total teve como destino o mercado americano. Isso significa que os efeitos imediatos serão, em sua maioria, indiretos e diluídos.
E O CONSUMIDOR?
No curto prazo, o consumidor comum alagoano não deve sentir grandes alterações no bolso. Contudo, em um cenário mais amplo e duradouro, a instabilidade internacional pode refletir no dólar, aumentar o custo de importações (como eletrônicos e combustíveis) e gerar pressão sobre a inflação.
CONCLUSÃO: ALERTA, MAS SEM ALARME
A tarifa de Trump é um recado geopolítico com implicações econômicas. Para Alagoas, o impacto é limitado, mas exige atenção — especialmente dos setores produtivos que integram a cadeia nacional de exportação.
Enquanto isso, o alagoano médio pode manter sua rotina, mas com um olho na bomba de combustível, outro na prateleira do supermercado — e ambos atentos às próximas decisões vindas de Washington.
Por: Fran Ribeiro







