21 de março de 2026
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Governo e Congresso retomam diálogo sobre IOF em meio a pressões por reforma tributária

Hugo Motta

Após meses de distanciamento e com o cenário fiscal cada vez mais pressionado, o Governo Federal e o Congresso Nacional retomaram, nesta semana, o diálogo sobre o futuro do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), um dos tributos mais controversos da estrutura arrecadatória brasileira.

A reaproximação ocorre em um momento decisivo para a equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca ampliar as receitas sem recorrer a medidas impopulares. O IOF, embora seja uma fonte relevante de arrecadação — especialmente em transações de crédito, câmbio e seguros —, tem sido criticado por sua complexidade e caráter regressivo.

As conversas, segundo apuração da TV Câmara, voltaram a ocorrer nos bastidores da Comissão de Finanças e Tributação, com articulação direta entre representantes do Ministério da Fazenda e líderes de bancadas da base e da oposição. Entre os pontos discutidos estão a reformulação das alíquotas, maior transparência na destinação dos recursos e a possibilidade de vinculação do imposto a políticas públicas específicas, como programas de microcrédito e incentivo ao investimento produtivo.

Fontes ligadas ao governo indicam que há um esforço para evitar novos desgastes com o Congresso após a turbulência enfrentada com a desoneração da folha e a resistência a medidas de aumento de carga tributária. Por outro lado, parlamentares cobram mais clareza sobre os impactos de eventuais mudanças e alertam para o risco de “manobras arrecadatórias” fora do escopo da reforma tributária em tramitação.

O IOF, criado originalmente como um instrumento de regulação econômica, acabou se tornando uma fonte permanente de receita, com arrecadação estimada em cerca de R$ 60 bilhões em 2024. Sua manutenção tem sido alvo de críticas de economistas e empresários, que apontam distorções e pouca previsibilidade.

A expectativa agora é de que o diálogo se intensifique nas próximas semanas, especialmente com a aproximação do segundo semestre legislativo, quando o Congresso deve priorizar temas estruturais da economia. Enquanto isso, o governo trabalha nos bastidores para construir um consenso mínimo que permita ao menos uma modernização das regras atuais do IOF, sem gerar instabilidade política.