No Sertão de Pernambuco, na zona rural de Petrolina, um médico passou a enfrentar um desafio que vai além do diagnóstico clínico: a dificuldade de muitos pacientes em compreender as orientações médicas por não saberem ler. Atuando longe dos grandes centros, a cerca de 700 quilômetros do Recife, ele percebeu que, mesmo com receitas escritas de forma clara, parte da população não conseguia seguir corretamente os tratamentos indicados.
A situação revelava um problema mais profundo. Pacientes atendidos pelo SUS continuavam adoecendo por não entenderem como utilizar os medicamentos prescritos. Em muitos casos, doenças se agravavam simplesmente porque as instruções não eram compreendidas, evidenciando o impacto do analfabetismo e do letramento limitado na saúde pública.
Diante disso, o médico passou a adotar uma solução improvisada: desenhava símbolos nas receitas para indicar horários e quantidades dos remédios, utilizando figuras como xícaras de café, luas e círculos. Apesar de funcional, o método tomava tempo e, por vezes, causava constrangimento. A partir dessa experiência, ele se uniu a um amigo engenheiro de software e juntos desenvolveram a plataforma “Cuidado para Todos”, que utiliza ícones padronizados para facilitar a compreensão das prescrições.
A ferramenta, que já vem sendo aplicada em diferentes regiões, permite que médicos selecionem símbolos e imprimam receitas mais acessíveis, além de etiquetas para os próprios medicamentos. Com presença em diversos municípios e até distritos indígenas, a iniciativa busca ampliar o acesso à saúde de forma inclusiva. Enquanto isso, o Ministério da Saúde informa que também investe em recursos como pictogramas para apoiar o atendimento de pessoas com baixo nível de letramento.










