O Haiti deve receber, a partir de abril, uma nova força multinacional com a missão de conter o avanço das gangues que dominam o país. Batizada de Força de Supressão de Gangues (GSF), a operação terá cerca de 5.500 militares, cinco vezes mais que a iniciativa anterior e contará com apoio logístico da ONU e um mandato mais robusto.
A missão substitui a Missão de Apoio à Segurança Multinacional (MSS), liderada pelo Quênia, encerrada em outubro passado sob críticas de baixa efetividade. A expectativa é que o reforço no número de tropas e a ampliação das atribuições aumentem a capacidade de enfrentamento dos grupos armados.
A nova operação será supervisionada por um grupo de países parceiros, incluindo Estados Unidos, Canadá e nações do Caribe e da América Central. No entanto, ainda há incertezas sobre quais países efetivamente enviarão tropas e em que quantidade. Nações como Chade, Benin e Bangladesh já sinalizaram apoio, mas ainda não formalizaram o envio de contingentes.
Outro ponto de atenção é o financiamento. Apesar do suporte da ONU, a missão seguirá parcialmente dependente de contribuições voluntárias, especialmente para custear salários. A falta de recursos foi um dos principais entraves da operação anterior.
O desafio é significativo. As gangues controlam grandes áreas do território, incluindo rotas estratégicas, e dominam até 85% da capital, Porto Príncipe. O cenário de crise se agravou após o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021, que aprofundou o vácuo de poder no país.
Desde então, a violência se intensificou, com ataques a civis, bloqueio de portos e paralisação de serviços essenciais. Em 2022, diante do colapso institucional e econômico, o então primeiro-ministro Ariel Henry solicitou ajuda internacional.
Diante desse histórico, a nova missão chega sob desconfiança. Resta saber se, com mais recursos e estrutura, conseguirá reverter o domínio das gangues ou repetir os fracassos anteriores.








