A Plan International Brasil afirma que nem grandes aportes financeiros são suficientes para enfrentar a violência contra meninas e mulheres no país. A entidade recebeu cerca de R$46 milhões da filantropa MacKenzie Scott, ex-esposa do empresário Jeff Bezos, mas avalia que o problema exige mudanças estruturais e culturais.
Segundo a CEO da organização, Cynthia Betti, parte significativa dos recursos foi direcionada para garantir sustentabilidade institucional, com cerca de 90% aplicados em investimentos. O restante financia projetos de igualdade de gênero, proteção à infância e iniciativas de conscientização em estados como Maranhão, Piauí, Bahia e São Paulo.
Entre as ações, a ONG investe em programas de microcrédito voltados a mulheres das regiões Norte e Nordeste, além de campanhas educativas e apoio a organizações comunitárias. A estratégia busca ampliar oportunidades e fortalecer a autonomia feminina em áreas vulneráveis.
Apesar disso, a entidade ressalta que o cenário brasileiro segue preocupante. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam mais de 1,5 mil casos de feminicídio em 2025, evidenciando o avanço da violência de gênero.
Para a organização, recursos financeiros ajudam a ampliar projetos e alcance social, mas não substituem políticas públicas eficazes nem mudanças culturais profundas. “A transformação não se compra”, resume a direção da ONG ao destacar os limites da filantropia diante do problema.








