A investigação da Polícia Federal aponta a existência de uma organização criminosa estruturada para fraudar concursos públicos em diferentes estados. Segundo os autos, o grupo teria atuação coordenada e contaria, inclusive, com a participação de agentes públicos, sendo citado como um dos líderes o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier. As apurações avançaram a partir de medidas cautelares, quebras de sigilo e uma colaboração premiada, que ampliaram o alcance das investigações.
De acordo com a decisão judicial, o esquema funcionava a partir da identificação de candidatos interessados em obter aprovação ilícita. A partir disso, o grupo teria acesso antecipado ou manipulação de gabaritos, o que foi evidenciado por respostas idênticas entre diversos candidatos em concursos como o do CNU e outros certames. A análise técnica dos gabaritos, fornecidos pela banca organizadora, foi fundamental para comprovar os indícios de fraude.
As investigações também revelaram a existência de uma rede de intermediários e familiares envolvidos no esquema, além da prática de lavagem de dinheiro. Movimentações financeiras suspeitas, como depósitos elevados sem comprovação de origem, reforçam a tese de que havia cobrança de altos valores para garantir aprovações. Em um dos casos, mensagens interceptadas indicam negociação de até R$ 500 mil para fraudar um concurso.
Além disso, a extração de dados de celulares e arquivos em nuvem mostrou conversas, comprovantes de transferências e listas de aprovados que indicam a atuação organizada do grupo. Os elementos reunidos apontam para um esquema sofisticado, com divisão de tarefas, articulação entre membros e atuação em múltiplos concursos, o que pode configurar crimes como organização criminosa, fraude em certames públicos e lavagem de dinheiro.







