O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Tenente-Brigadeiro Batista Júnior, alertou para a perda gradual da capacidade militar do Brasil. Em entrevista, ele afirmou que as Forças Armadas não estão preparadas para enfrentar cenários de guerra contemporâneos.
Segundo o oficial, o problema não é recente e se arrasta há cerca de três décadas, influenciado pela baixa percepção de ameaças na América do Sul e por limitações orçamentárias. “A capacidade militar já não é compatível com o que precisa proteger”, avaliou.
O alerta ganha força diante de conflitos recentes, como a Guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, que evidenciam o uso de tecnologias avançadas, como inteligência artificial e sistemas de alta precisão, áreas em que o país ainda apresenta defasagem.
Batista Júnior defende mudanças estruturais, com maior integração entre Exército Brasileiro, Marinha do Brasil e a própria FAB, sob um comando centralizado. Ele também critica o orçamento engessado e a concentração de gastos com pessoal, que reduz investimentos em equipamentos e modernização.
Estimativas indicam que seriam necessários cerca de R$800 bilhões para atualizar as Forças Armadas, mas o planejamento atual prevê aproximadamente metade desse valor ao longo de mais de uma década. Projetos estratégicos também enfrentam atrasos, como a entrega de caças Gripen e o desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro.
Para especialistas, o cenário revela uma lacuna entre as demandas da defesa nacional e a capacidade real de resposta do país, em um contexto internacional cada vez mais instável.







