10 de março de 2026
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Agressor de Maria da Penha e mais 3 viram réus por ataques à ativista

A Justiça do Ceará aceitou nesta segunda-feira (9) a denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará contra Marco Antônio Heredia Viveiros e outros três investigados por uma suposta campanha de ódio e perseguição virtual contra a ativista Maria da Penha Maia Fernandes. Segundo o órgão, o grupo teria promovido ataques nas redes sociais com o objetivo de descredibilizar a história da farmacêutica e a Lei Maria da Penha, marco no combate à violência doméstica no Brasil.

Também foram denunciados o influenciador Alexandre Gonçalves de Paiva, o produtor Marcus Vinícius Mantovanelli e o editor Henrique Barros Lesina Zingano, ligados ao documentário “A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha”. De acordo com o MP, os envolvidos teriam atuado de forma organizada para disseminar conteúdos ofensivos, notícias falsas e até um suposto laudo médico adulterado para sustentar a tese de inocência de Heredia, condenado pela tentativa de homicídio contra a ex-esposa.

A investigação aponta que o grupo utilizava redes sociais e grupos de mensagens para planejar e divulgar os ataques. Entre as condutas citadas estão perseguição virtual, intimidação sistemática e publicações que questionavam a veracidade da tentativa de homicídio sofrida pela ativista. Em um dos episódios, o influenciador teria ido até a antiga residência de Maria da Penha, em Fortaleza, gravado vídeos no local e divulgado o conteúdo nas redes.

Perícia realizada pela Perícia Forense do Estado do Ceará concluiu que um laudo de exame de corpo de delito apresentado para sustentar a versão de Heredia havia sido montado a partir de um documento original, com inclusão de informações inexistentes. As investigações fazem parte da Operação Echo Chamber e levaram, entre outras medidas, à suspensão de perfis nas redes sociais e à proibição de contato com a ativista, que atualmente integra o programa de proteção a defensores de direitos humanos.