Quase seis em cada dez mulheres vítimas de feminicídio no Brasil foram assassinadas pelos próprios companheiros. É o que revela o levantamento Retrato dos Feminicídios no Brasil, divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados analisados entre os anos de 2021 e 2024.
Segundo o estudo, 59,4% dos crimes foram praticados por parceiros atuais das vítimas, enquanto 21,3% tiveram como autores ex-companheiros. Outros familiares aparecem como responsáveis em 10,2% dos casos. A pesquisa reforça que o feminicídio, na maioria das ocorrências, não é um crime aleatório, mas resultado de relações marcadas por controle, violência e desigualdade de gênero dentro do ambiente doméstico.
Dos 5.729 feminicídios registrados no período analisado, apenas 4,9% foram cometidos por desconhecidos. Em 97,3% das ocorrências, os autores eram homens, e a própria residência da vítima foi o local do crime em 66,3% dos casos. Facas e outros objetos perfurantes foram utilizados em 48,7% das mortes, enquanto armas de fogo estiveram presentes em 25,2% das situações.
O perfil das vítimas revela que 62,6% eram mulheres negras e metade tinha entre 30 e 49 anos. Municípios de pequeno porte concentram os maiores índices proporcionais: cidades com até 100 mil habitantes registraram taxas superiores à média nacional, cenário agravado pela baixa presença de estruturas especializadas de proteção, como Delegacias da Mulher e casas-abrigo.
O estudo também aponta falhas na proteção institucional. Em 16 estados analisados, 13,1% das vítimas possuíam Medida Protetiva de Urgência ativa no momento do assassinato. Em paralelo, o país registrou 1.568 feminicídios em 2025, alta de 4,7% em relação ao ano anterior, consolidando uma tendência de crescimento que já acumula aumento de 14,5% nos últimos cinco anos.









