17 de fevereiro de 2026
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Carnaval custou R$ 85 milhões aos cofres oficiais

Foto: Pablo Porciuncula/AFP.

As festas de Carnaval deste ano consumiram cerca de R$ 85 milhões em verba pública, reacendendo o debate sobre o uso político da maior festa popular do país. Do total, aproximadamente R$ 52 milhões vieram de emendas parlamentares, recursos indicados por governadores e senadores, além de aportes de órgãos federais como a Embratur, presidida por Marcelo Freixo, e da Caixa Econômica Federal. As informações são da Folha de S.Paulo.

Em ano de eleição, a polêmica ganhou força com o desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou à avenida um samba-enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição. A escola recebeu R$ 1 milhão da Embratur, e opositores classificaram o tributo como propaganda eleitoral antecipada, apontando possível uso político de recursos públicos.

O caso chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU), que inicialmente sugeriu a não realização do repasse. A liberação acabou autorizada pelo ministro Aroldo Cedraz, que, no entanto, determinou a oitiva da escola, do presidente Lula e da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Freixo negou favorecimento político e afirmou que todas as escolas do Grupo Especial receberam o mesmo valor.

Além disso, a Caixa investiu R$ 14,8 milhões em camarotes, festas e shows pelo país, patrocinando artistas como BayanaSystem, Luiz Caldas e Saulo Fernandes. Prefeituras também bancaram cachês elevados, como Wesley Safadão (R$ 1,2 milhão), Alok e Simone Mendes (R$ 950 mil cada). Governos estaduais ampliaram os gastos: R$ 40 milhões no Rio de Janeiro, R$ 51,6 milhões via Riotur e R$ 30,2 milhões em São Paulo. Entre as emendas parlamentares, destaque para Guilherme Boulos (PSOL), que destinou R$ 500 mil à Vai-Vai, além de R$ 9 milhões da Comissão de Turismo e R$ 30 milhões da Bancada da Bahia, números que mantêm o Carnaval no centro da disputa política nacional.