10 de fevereiro de 2026
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João Pessoa aposta em orla sem prédios altos e vira referência em urbanismo sustentável

Enquanto muitas cidades brasileiras apostaram na verticalização intensa à beira-mar, João Pessoa seguiu um caminho diferente. A capital paraibana adotou, há décadas, regras urbanísticas que limitam a altura dos edifícios na orla, priorizando a ventilação natural, a preservação da paisagem e a qualidade ambiental da região costeira.

Os efeitos dessa escolha são visíveis até hoje. A cidade mantém uma orla mais aberta e arejada, com melhor circulação de ventos e maior incidência de luz natural na faixa de areia. Em contraste com outros centros urbanos litorâneos, João Pessoa evita problemas como ilhas de calor, sombreamento excessivo das praias e prejuízos à qualidade do ar.

Esse modelo é garantido por leis municipais e pelo Plano Diretor, que estabelece limites claros de gabarito para construções próximas ao mar. A proposta sempre foi conciliar crescimento urbano e conforto térmico, sem permitir que a expansão imobiliária comprometa o equilíbrio entre cidade e natureza. Em 2017, a estratégia ganhou reconhecimento internacional com o título de Cidade Criativa da UNESCO, na categoria Design.

Especialistas em urbanismo destacam que decisões como essa impactam diretamente a saúde e o bem-estar da população, ao tornar os espaços públicos mais agradáveis para convivência e lazer. Embora haja debates sobre possíveis efeitos no mercado imobiliário, como a valorização dos terrenos, João Pessoa se consolida como exemplo de que desenvolvimento urbano não precisa estar associado à verticalização extrema.