O Brasil manteve em 2025 sua pior colocação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado nesta terça-feira (10) pela Transparência Internacional, e repetiu a segunda nota mais baixa da série histórica com 35 pontos, em uma escala de 0 (mais corrupto) a 100 (mais íntegro). O país ficou na 107ª posição entre 182 nações e territórios avaliados, segundo levantamento divulgado pela organização.
Embora a pontuação tenha subido um ponto em relação a 2024 (quando o Brasil atingiu 34), essa melhora foi considerada estatisticamente insignificante, indicando um quadro de estagnação no combate à corrupção no setor público. O país segue abaixo da média global e da média das Américas, ambas em 42 pontos no IPC.
O IPC é composto por uma série de indicadores independentes que avaliam a percepção de especialistas, pesquisadores e executivos sobre práticas corruptas e os mecanismos institucionais de prevenção nos governos. Países com pontuações mais altas, como Dinamarca (89), Finlândia (88) e Cingapura (84), aparecem no topo do ranking, enquanto nações com pontuações baixas como Sudão do Sul e Somália (ambas com 9) refletem maior percepção de corrupção.
Especialistas ouvidos pela Transparência Internacional destacam que o Brasil tem enfrentado um cenário de impunidade generalizada, marcado por casos de macrocorrupção e fragilidades nas instituições de controle e fiscalização. O relatório que acompanha o índice menciona escândalos que ganharam repercussão nos últimos anos, como fraudes no INSS e no Banco Master, além de ressaltar desafios na supervisão de mecanismos como emendas parlamentares.
Analistas também apontam que há fragilidades que persistem em diferentes poderes, dificultando avanços significativos no índice. Apesar de esforços pontuais de órgãos de controle, a percepção de corrupção no serviço público permanece alta, refletindo a percepção de investidores e especialistas de que medidas de prevenção e responsabilização têm sido insuficientes.
O resultado do IPC 2025 reforça a posição do Brasil entre os países com maior percepção de corrupção no mundo e acende um alerta sobre a necessidade de reforçar sistemas de transparência, controle e responsabilização em um momento de intensos debates políticos e eleitorais.









