O Brasil se prepara para encerrar um capítulo histórico de sua comunicação em 2026 com a retirada definitiva dos orelhões das ruas. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem cerca de 38 mil aparelhos instalados no país, mas o avanço dos celulares e o fim das concessões do serviço de telefonia fixa no ano passado aceleraram o processo de desativação. A partir de janeiro, as operadoras responsáveis começam a remover em massa carcaças e aparelhos desativados, mantendo o serviço apenas onde não há cobertura de celular e somente até 2028.
As empresas Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefonica deixam de ter obrigação legal de manter a infraestrutura dos telefones públicos após o encerramento dos contratos. A medida, no entanto, não ocorre sem compensações: a Anatel determinou que os recursos antes destinados aos orelhões sejam redirecionados para investimentos em banda larga e telefonia móvel, setores que hoje dominam a comunicação no país. Atualmente, a agência registra mais de 33 mil orelhões ativos e cerca de 4 mil em manutenção, número bem abaixo dos cerca de 202 mil aparelhos existentes em 2020.
Criado em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, o orelhão se tornou um ícone nacional não apenas pelo uso massivo, mas também pelo design que se destacou pelo isolamento acústico e pela funcionalidade. Ao longo de décadas, as cabines foram essenciais para chamadas urgentes, encontros e conexões que, muitas vezes, só eram possíveis por meio desses equipamentos públicos.
Mesmo com a aposentadoria próxima, o orelhão voltou a ganhar destaque cultural recentemente ao aparecer no cartaz do filme “O Agente Secreto”, vencedor do Globo de Ouro e indicado ao Oscar 2026, reacendendo a lembrança do equipamento entre as gerações mais jovens.










