Único ex-prefeito de capital a exercer mandato de vereador no Nordeste, Rui Palmeira vive um momento de forte desgaste político em Maceió. Com a Câmara Municipal prestes a retomar os trabalhos após o recesso, em um ano eleitoral movimentado, o nome de Rui não aparece em nenhuma sondagem para disputas majoritárias ou proporcionais, contrastando com outros vereadores cotados para a Assembleia Legislativa ou a Câmara Federal.
Herdeiro de uma tradicional família da política alagoana, Rui despontou como promessa da nova geração ao ser eleito deputado estadual aos 30 anos, em 2006. Passou pela Câmara dos Deputados e comandou a Prefeitura de Maceió por dois mandatos consecutivos, mas encerrou a gestão em 2020 sob forte reprovação popular: pesquisa do Ibope apontou 59% de desaprovação no último ano de governo. Em 2022, tentou o Governo de Alagoas, mas sofreu uma derrota expressiva, ficando em quarto lugar, atrás inclusive de Fernando Collor.
Após passagem discreta como secretário no governo Paulo Dantas, Rui apostou em 2024 numa candidatura a vereador como tentativa de retomada política. A estratégia quase fracassou: foi apenas o 18º eleito, com 5.498 votos, garantindo a vaga pela soma dos votos da legenda. No primeiro ano de mandato, concentrou-se em críticas ao prefeito JHC, mas acabou isolado na Câmara após levar à Justiça questionamentos sobre suas contas de 2020, o que gerou atritos com a Mesa Diretora.
Agora, Rui Palmeira começa 2026 sem perspectivas claras. Não é cogitado para chapas majoritárias, não articula retorno à Assembleia ou à Câmara Federal e sequer é lembrado para suplência ao Senado. Sem liderança de blocos ou comissões relevantes e com risco de perder espaço no PSD, em meio às negociações nacionais do partido, o ex-prefeito enfrenta o desafio de concluir o mandato sem desaparecer de vez do cenário político, ou se tornar um novo capítulo de declínio na política alagoana.
*Redação com informações do Quarto Poder Alagoas












