Nos bastidores da política alagoana, a suposta falta de entusiasmo de Renan Filho para disputar novamente o Governo do Estado soa menos como cautela e mais como leitura óbvia da realidade. A situação financeira delicada de Alagoas, apontada em conversas reservadas atribuídas ao ministro, não caiu do céu: é fruto direto do próprio grupo político que hoje comanda o Estado, liderado pelo governador Paulo Dantas, sob a forte influência do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor.
Falar em “herdar um espólio difícil de governar” é admitir, ainda que indiretamente, que a atual gestão deixou um cenário crítico, com problemas estruturais graves e serviços essenciais em colapso. A saúde pública é o exemplo mais evidente, marcada por denúncias, investigações da Polícia Federal e um sistema fragilizado, reflexo de má gestão e suspeitas de desvios que penalizam diretamente a população.
O que chama atenção é o discurso seletivo. Renan Filho evita assumir o ônus do presente, mas parece esquecer que também não entregou o Estado em condições financeiras confortáveis ao seu sucessor. Não é preciso ser especialista para entender: os números falam por si. O desgaste atual tem assinatura do grupo que governa Alagoas há anos, e tentar se afastar desse legado não apaga a responsabilidade compartilhada por quem construiu, e sustentou, esse projeto de poder.











