13 de janeiro de 2026
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Crise no Irã expõe disputa com os EUA e deve refletir economicamente no Brasil

A escalada de protestos no Irã, que já teria deixado cerca de duas mil pessoas mortas, segundo uma autoridade iraniana, aprofundou a crise interna no país e reacendeu tensões no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio. As manifestações, motivadas principalmente pelo agravamento da crise econômica, enfrentam uma repressão severa do regime, ao mesmo tempo em que Teerã acusa Estados Unidos e Israel de estimularem a instabilidade, patrocinando grupos rebeldes na tentativa de desestabilizar o governo iraniano, facilitando uma incursão americana no oriente médio.

Grupos independentes de defesa dos direitos humanos apontam números menores, mas ainda alarmantes: mais de 500 mortos e ao menos 10 mil presos. O bloqueio à internet e as restrições à comunicação dificultam a verificação dos dados, mas vídeos checados por agências internacionais mostram confrontos violentos, disparos, incêndios e ação ostensiva das forças de segurança. Para o governo iraniano, parte dos protestos foi “sequestrada por terroristas”, narrativa recorrente usada para justificar a repressão.

No plano internacional, a crise interna ocorre em um momento de forte pressão externa sobre o Irã. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que o país está pronto para reagir a qualquer ação militar dos Estados Unidos. A declaração veio após o presidente norte-americano, Donald Trump, admitir que avalia opções “mais duras” contra o regime iraniano caso haja uso de força letal contra civis. Teerã, por sua vez, associa a repressão atual ao que chama de continuidade do conflito recente com Israel, encerrado meses atrás.

Esse embate entre Irã e Estados Unidos não se limita ao campo militar ou diplomático. Ele tem impactos diretos no comércio internacional e o Brasil está no centro dessa equação. O país é um dos maiores exportadores de alimentos para o Irã, especialmente milho, soja e carnes. Sanções mais severas, instabilidade prolongada ou um eventual conflito podem afetar contratos, fluxos logísticos e pagamentos, além de pressionar preços globais de alimentos.

Para o Brasil, o cenário exige atenção redobrada. Embora mantenha uma política externa de diálogo e defesa do multilateralismo, o país pode sofrer efeitos indiretos caso a crise se intensifique, seja pela interrupção do comércio com o Irã, seja por impactos no mercado internacional de commodities. O agravamento da situação no Oriente Médio, portanto, não é apenas um tema distante: ele repercute na economia, na diplomacia e na segurança alimentar global, com reflexos que chegam diretamente ao agronegócio brasileiro.