Um estudo da Universidade da Austrália do Sul, publicado na revista Sleep Medicine, sugere que pessoas com insônia podem ter um “relógio mental” desregulado, que mantém o cérebro em modo diurno justamente quando deveriam estar relaxando. A pesquisa comparou, ao longo de 24 horas, o padrão de pensamentos de adultos mais velhos com insônia e de bons dormidores, revelando que quem sofre do distúrbio não reduz a tempo a intensidade dos pensamentos orientados a tarefas, um possível motivo para a sensação de “mente acelerada” ao deitar.
Para investigar esse ritmo interno, os cientistas submeteram 32 voluntários a uma rotina controlada de 26 horas, com luz fraca, ausência de cochilos e estímulos reduzidos. A cada hora, os participantes avaliavam características dos pensamentos recentes, desde o grau de consciência do ambiente até o quanto as ideias seguiam uma sequência lógica. Em ambos os grupos, houve um ritmo circadiano claro nos padrões mentais, mas a transição entre o pensamento diurno e o mais onírico ocorreu de forma bem menos marcada entre os insones, e até cerca de 6h30 mais tarde.
Um dos achados mais relevantes foi a predominância de pensamentos sequenciais no grupo com insônia, especialmente à noite. Enquanto bons dormidores alternavam entre ideias repetitivas e outras mais encadeadas, quem tinha insônia permanecia preso ao raciocínio linear, semelhante a uma lista mental ou planejamento contínuo. Esse padrão é associado a ansiedade e depressão e pode contribuir para manter a vigília, independentemente do ambiente.
Os pesquisadores destacam que os resultados reforçam o modelo de hiperexcitação cerebral e podem orientar tratamentos mais personalizados. Estratégias que combinam ajustes nos ritmos biológicos, como exposição adequada à luz e rotinas estruturadas, com técnicas para lidar com pensamentos encadeados, como mindfulness e terapias cognitivas, tendem a ser promissoras. Ainda assim, os autores ressaltam a necessidade de estudos maiores e mais diversos para entender melhor como diferentes tipos de insônia se relacionam com esse “descompasso” da mente.










