A sensação de que o ano passou “voando” voltou a dominar as redes sociais com a chegada de dezembro, mas especialistas explicam que não se trata apenas de impressão coletiva. Embora o tempo cronológico siga igual, a percepção subjetiva do tempo, aquela que “sentimos passar”, pode acelerar. Pesquisas apontam que o envelhecimento e a redução da capacidade de processamento cerebral contribuem para essa impressão, mas o estilo de vida moderno também desempenha papel central.
O hábito crescente de acelerar áudios, consumir vídeos supercompactados e tentar encaixar inúmeras tarefas em períodos curtos reforça a ideia de um tempo cada vez mais rápido. Segundo a psicóloga Ana Aversi, a hiperconexão e a pressão por produtividade fazem com que as pessoas vivam em constante estado de alerta, diminuindo o espaço para o ócio e tornando difícil a sensação de presença. Já a psicanalista Danit Pondé alerta que o corpo reage a esse ritmo: problemas de sono, irritabilidade e doenças podem ser sinais de sobrecarga.
Esse padrão acelerado também pode mascarar sintomas e gerar confusões, como a crescente autossuspeita de TDAH nas redes sociais. Especialistas ressaltam que o excesso de estímulos e multitarefas pode imitar características do transtorno, sem necessariamente significar sua presença. Além disso, lembram que a percepção individual de tempo é influenciada por fatores sociais — como longas jornadas de deslocamento — que tornam o dia mais curto para algumas pessoas.
Para quem sente que 2024 passou num piscar de olhos, psicólogas recomendam desacelerar antes de traçar novas metas. Entre os questionamentos importantes estão: o uso excessivo de redes sociais no tempo livre, a necessidade de acelerar tudo ao redor, a frustração por não cumprir listas extensas de tarefas e a dificuldade de focar em uma atividade por vez. Colocar-se como prioridade e redefinir limites pode ser o primeiro passo para recuperar a sensação de presente.











