A Polícia Federal apreendeu nesta sexta-feira (12), no Lago Sul, em Brasília, uma Ferrari, um carro de modelo esportivo semelhante aos de Fórmula 1, além de relógios de alto valor e dinheiro vivo, durante ação que investiga desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Também foram encontrados quadros e peças de arte em endereços de São Paulo. A operação levou à prisão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e do empresário Maurício Camisotti. No total, foram cumpridos dois mandados de prisão e 13 de busca e apreensão, autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
As defesas começaram a se manifestar logo após a operação. Os advogados de Nelson Wilians, que teve a casa e o escritório vistoriados, afirmaram que ele colabora com as autoridades e que as movimentações financeiras se referem à compra de um terreno vizinho à sua residência. Já os representantes de Maurício Camisotti disseram que a prisão é arbitrária e que adotarão medidas legais para garantir sua liberdade. Até o momento, outros investigados não se pronunciaram.
De acordo com a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU), o esquema funcionava por meio de entidades que falsificavam assinaturas de aposentados e pensionistas para autorizar descontos mensais, sem consentimento dos beneficiários. As associações, muitas de fachada, eram presididas por pessoas vulneráveis, como idosos e trabalhadores de baixa renda. A investigação aponta ainda o pagamento de propina a servidores do INSS para facilitar o acesso a dados e viabilizar os débitos ilegais diretamente nos contracheques.
A apuração ganhou força no Congresso. No início de setembro, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, por unanimidade, o pedido de prisão preventiva e quebra de sigilo de Antunes e Camisotti. O relator Alfredo Gaspar (União-AL) justificou a medida pela gravidade dos desvios, avaliados em bilhões de reais. A decisão foi encaminhada à PF, que recebeu o aval da Justiça para efetivar as prisões e avançar nas diligências.







