7 de março de 2026
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Estudo aponta que 75% das mortes violentas de jovens no Brasil atingem população negra

Três em cada quatro mortes de jovens por violência ou acidentes no Brasil, em 2022 e 2023, foram de pessoas negras, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (25) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O levantamento integra o 1º Informe Epidemiológico sobre a Situação da Saúde da Juventude Brasileira: Violências e Acidentes, elaborado pela Agenda Jovem Fiocruz em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV).

Na faixa etária de 15 a 19 anos, a desigualdade racial fica ainda mais evidente: a taxa de mortalidade entre jovens negros foi de 161,8 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da registrada entre brancos (78,3). Entre indígenas, a taxa chegou a 160,7, e entre amarelos, 80,8. No total, 65% das mortes de jovens de 15 a 29 anos foram causadas por violência ou acidentes, enquanto na população geral essa proporção é de apenas 10%.

O estudo também mostra que homens jovens morrem oito vezes mais do que mulheres em situações violentas, com maior vulnerabilidade na faixa de 20 a 24 anos, que registra taxa de 390 mortes por 100 mil habitantes. Já o local dos óbitos também revela desigualdade: enquanto rapazes morrem sobretudo nas ruas (57,6%), as jovens têm como principal cenário de morte a própria casa (34,5%).

Para os pesquisadores, os dados reforçam a necessidade de enfrentar desigualdades estruturais e a ausência de políticas públicas voltadas à juventude. “A violência atinge de forma diferente dependendo da idade, gênero, raça e local em que o jovem vive”, destacou Bianca Leandro, da EPSJV. Já André Sobrinho, da Agenda Jovem Fiocruz, alertou: “Não basta mostrar os dados alarmantes, é preciso atacar as causas: como a sociedade enxerga os jovens e a falta de políticas que os protejam.”