10 de janeiro de 2026
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“2025 está se despedindo. E, como todo fim de ciclo, ele pede menos torcida e mais análise.” diz Italo Bonja

 

Quem acompanha política em Alagoas sabe que o roteiro quase nunca muda: campanhas com muita estrutura, alianças previsíveis, sobrenomes conhecidos e candidaturas que nascem já acomodadas na sombra do poder. Aqui, historicamente, quem vence pega carona na chapa do governo. O resto costuma ser figurante.

 

Mas este ano deixou um ruído diferente no ar.

 

Há cerca de 120 dias, um nome começou a circular com algo improvável nos tempos atuais: um telefone na mão, estrada, conversa direta e quase nenhuma estrutura. Sem máquina. Sem palanque armado. Sem o conforto das oligarquias que tratam o poder como herança — inclusive o poder de indicar quem senta nos tribunais, nos conselhos e nos espaços que deveriam ser técnicos, não familiares.

 

No início, foi tratado como curiosidade. Depois, como improviso. Hoje, começa a ser tratado como fenômeno em construção.

 

Os números ajudam a explicar o incômodo. Sair de 1% para 5% em poucos meses, segundo levantamento do Paraná Pesquisas, não é apenas crescimento estatístico. É sinal político. É leitura de cenário. É gente testando algo fora do script.

 

E talvez o ponto mais importante dessa história não seja o nome em si, mas o momento que o Brasil atravessa.

 

O país começa, ainda que lentamente, a compreender que a eleição para o Senado não é acessória. Não é prêmio de consolação. Não é apêndice da disputa majoritária. O Senado passou a ser entendido como o eixo de equilíbrio entre os Poderes — especialmente no papel de conter excessos, estabelecer freios e reposicionar o Supremo Tribunal Federal dentro dos limites constitucionais, o Supremo Tribunal Federal.

 

Esse novo entendimento muda tudo.

 

Muda o voto. Muda a lógica. Muda a pergunta do eleitor, que já não quer apenas saber “quem o governo apoia”, mas quem terá independência, coragem e isenção para exercer o mandato sem submissão a projetos pessoais ou familiares.

 

É nesse contexto que a caminhada iniciada há poucos meses ganha outro peso. Não pela estrutura — que ainda não existe. Mas pelo símbolo que carrega: o de uma candidatura que cresce fora do guarda-chuva do poder, fora das famílias tradicionais e fora da lógica automática da chapa.

 

2025 termina assim: não com uma eleição decidida, mas com uma certeza incômoda para muitos — o eleitor começou a olhar para o Senado com seriedade. E, quando isso acontece, candidaturas independentes deixam de ser exceção e passam a ser possibilidade real.

 

O próximo ano dirá se essa possibilidade vira ruptura. Mas o aviso já foi dado.